O “fim” de um grupo político

Vou nesse texto, fazer uma análise sucinta do que estou assistindo: “O fim de um grupo político tradicional da cidade de Simão Dias”.

Na foto: um girassol murcho

Antes é preciso fazer uma introdução.

Introdução

A vida é rara! Até o momento, não temos notícia de que a vida exista em outras partes do universo. Há fortes possibilidades de existir, mas não sabemos, não comprovamos. E existe uma lei máxima da natureza: O sentido da vida é gerar mais vida. O ciclo básico da vida é nascer, crescer, reproduzir e morrer. Tudo que vive um dia morre.

Logo, nada é eterno, e mesmo as nossas instituições, nossas tradições, nossos valores, um dia sucumbem, um dia falecem, um dia se transformam e deixam de existir. Tudo é mutavél!

Voltando ao tema central

Quando fiz a graduação em História na Universidade de Sergipe  fiz um trabalho de conclusão de curso (monografia) sobre a Política de Simão Dias. Entrevistei na ocasião o Ex-governador Celso de Carvalho. Durante diversas horas de entrevistas, que foram realizadas em diversas visitas sucessivas, ele me relatou sobre a fase áurea de seu grupo político, que era chamado popularmente de “Jacaré”, e os embates históricos com os opositores chamados de “Crocodilos”.

Na fase final de inúmeras entrevistas ele me relatou enfim, como se deu o fim de seu grupo político e como resignado optou por se afastar da política. É claro que todos esses relatos daria uma nova monografia.

Mas o que me chamou mais a atenção foi os relatos sobre o processo de arrefecimento do seu grupo  político. Relatou que era comum estar sempre rodeado de amigos e cabos eleitorais, seja em sua residência, ou em seu escritório no Calçadão da Joviniano de Carvalho. Mas que, com passar dos anos, as reuniões políticas e as conversas foram tendo cada vez menos participantes. No final de sua trajetória, restavam somente os amigos mais fiéis e tradicionais, e as reuniões se resumiam a diálogos de amizade.

Retomando a premissa geral, o grupo político que hoje está nesse processo de arrefecimento e finalização, é contemporâneo dessa fase das disputas entre “Crocodilos” e “Jacarés”. Mas agora completa seu ciclo de existência e dá os suspiros finais. Algo natural e previsível!

A curva de descida vem ocorrendo nas últimas duas eleições municipais, onde despontou a liderança oposicionista de Marival Santana. Na eleição de 2012, a vitória de Marival foi um duro golpe, nesse grupo tradicional. Foi um verdadeiro Nocaute, abriu-se a contagem e até hoje o oponente não se levantou. Na eleição posterior, em 2016, assim como agora, a indicação de um candidato a prefeito é geralmente um nome que visa absorver a derrota, visto que, a derrota para alguém que seja do grupo familiar tradicional é um prejuízo devastador. Falei sobre isso no texto de “As mudanças políticas em Simão Dias – O motor da história em ação”, publicado há 4 anos atrás.

Para completar o quadro de decadência, a saída de Belivaldo Chagas do grupo foi um golpe de misericórdia. Obviamente, o fato do grupo ter sido incapaz de avaliar as possíveis consequências dessa dissidência pode-se qualificar como uma falta de habilidade política inominável. Para completar, nas eleições de 2018 para governo, o embate entre Belivaldo e o opositor oriundo desse grupo político, constituiu o “ponto final” nesse processo.

Agora nessa eleição há um notório desespero por parte desse grupo político em lançar mão de uma última cartada! Mas vem a pergunta: Isso resolverá? Claro que não! O fim é o fim, e pronto! Mesmo que esse cenário acontecesse, ou seja, de uma vitória desse grupo, o que a “olhos vistos” se mostra improvável, já seria uma nova fase, uma nova história.

A estratégia de deixar atrás das cortinas as velhas lideranças, não conseguirá iludir o eleitorado. O povo de Simão Dias está atento e já abraçou “uma mudança” em eleições municipais passadas. Novos tempos!