“No amazonas, no Araguai, na Baixada Fluminense, Mato Grosso, nas Gerais e no NORDESTE tudo em PAZ”.

Trecho da Música – “Que pais é esse” - Legião Urbana e Renato Russo

 

Agora após a realização do primeiro turno no Brasil e analisando os resultados das urnas podemos observar que no nordeste “tudo em paz”, parafraseando a letra de Renato Russo.

O Nordeste deu um resultado dentro da normalidade. Quando vi o surgimento de Bolsonaro já tinha comigo que ele seria um fenômeno que teria muitos votos, mas que não passaria dos 20% do eleitorado. Era uma análise sensata, visto que, não teríamos no bojo da sociedade uma maioria de eleitores que estivessem dispostos a votar, em um candidato, agressivo, violento, racista, misógino, e sem propostas.

Aqui no nordeste a eleições seguiram essa tendência. O povo nordestino foi sensato e votou com equilíbrio. Por esse motivo, não condeno ou ignoro o eleitor de Bolsonaro aqui em nossa localidade. É natural que tenhamos uma parcela do eleitorado fazendo essa opção. São os radicais de direita que aumentaram sensivelmente após os escândalos de corrupção na política. Era natural que candidatos de centro e de direita (como Alckmim e PSDB) perdessem eleitores para os de extrema direita, tipo Bolsonaro.

O grande problema foi o efeito “manada” que ocorreu em outras regiões, como no sul, sudeste, norte e centro-oeste. Nessas regiões o eleitorado está seguindo a “onda” e o movimento não é racional. Aconteceu um efeito semelhante na eleição de Collor de Mello, após a abertura política, e foi aqui no nordeste que o efeito “manada” se intensificou. Com um ano de mandato, as pessoas já odiavam o Collor, e com dois anos de governo, o mesmo sofreu um “impeachment”.

O eleitor que vota na “onda” geralmente é idiota ou se comporta como um idiota, pois quando o governo começa a fazer asneiras, esse eleitor se confessa enganado, ou passa a mentir que votou no candidato do efeito “manada”.

Não há muito que se fazer. Esses efeitos do consciente coletivo já foram amplamente analisados por sociólogos, como: Emile Durkheim, Max Weber, Habernas, entre outros. Logo, para que a tendência das pesquisas venham se alterar é necessário fatos políticos impactantes. Não vejo, a possibilidade de uma mudança de quadro para as próximas duas semanas. Mas mesmo que o quadro seja alterado, não será aqui no nordeste que esse efeito “manada” irá se inverter.

Sendo assim, o convencimento daquele amigo próximo que está optando pelo Bolsonaro, não altera muito o quadro, caso ele opte por Haddad no segundo turno. Estamos agora nas mãos do trabalho de militância nas regiões sul, sudeste, norte e centro-oeste. Outro fator que pode alterar também esse quadro e a disposição daqueles que se absteve de votar, exercendo o protagonismo de alterar o resultado das eleições.

Mas o eleitor de esquerda não deve se dar por vencido. Por estar lúcido e com o uso da razão deve fazer o possível para que eleitores equivocados não comentam uma asneira. Não podemos flertar com o autoritarismo e loucura. A luta continua companheiro!