Ao analisarmos o fracasso eleitoral de um dos agrupamentos políticos mais tradicionais de nossa cidade, podemos observar uma máxima que a história nos revela: “você pode ser hegemônico e poderoso por muito tempo, mas jamais o tempo todo”. Derrotas e vitórias são comuns na política.

Na verdade, políticos experientes sabem que em política não há, efetivamente, derrotas, mas sim, adiamento de projetos políticos. Trata-se de efeitos colaterais de uma atuação momentânea, pois o desgaste faz parte da atuação política.

 

 Celso de Carvalho comemorando a vitória de Abel Jacó como Prefeito Municipal de Simão Dias

Mas, quanto ao cenário político atual de Simão Dias, está ficando cada vez mais nítido, que estamos entrando numa fase de mudança política mais profunda. Não se trata de mudanças pontuais resultante de fatores meramente conjunturais. Obviamente, que um olhar menos sensível à mudanças históricas poderia avaliar que se trata somente de mais uma campanha política, onde um agrupamento político local, conseguiu reorganizar e aglutinar novamente a tradicional oposição antivaladarista. Mas na verdade, o que estamos testemunhando é o motor da história fazendo acontecer.

Quem gosta de revisitar o passado, sabe que, outras batalhas eleitorais entre grupos rivais já marcaram nossa história, como por exemplo, a disputa entre os agrupamentos de Antonio Alexandrino (os Barretos) versus o agrupamento do Barão de Santa Rosa (os Carvalhos), bem como, a mais recente disputa entre Jacarés e Crocodilos. Mas, chega o dia que as velhas lideranças se aposentam, “penduram as chuteiras” ou seguindo o curso natural da vida: morrem.  É natural que as coisas se renovem!

 

 Comício de Marival Santana na Salobra no dia 11/09/2016. Adesão maciça da maioria da população. Um verdadeiro massacre aos grupos tradicionais da política simãodiense.

Mas o que temos notado é que no agrupamento político dos Valadares existe uma “regra de ouro”. Trata-se da lógica nefasta de destinar os cargos majoritários aos membros da família, ou seja, para ser prefeito ou deputado é necessário ser um Valadares, ou mais precisamente, ter o sobrenome Valadares. Mas a legislação eleitoral brasileira sempre prevê mecanismos para evitar que chefes políticos formem uma “dinastia”, e vez ou outra, o agrupamento político se vê obrigado indicar um nome fora da família. Nas poucas vezes que isso ocorreu, o candidato que não tem o sobrenome Valadares, foi candidato em situações adversas, ou seja, momento em que o grupo político estava desgastado. Já em outros momentos em que a candidatura era viável, terminado o pleito deu-se início a destruição sumária da imagem do candidato eleito, como, por exemplo, foi o caso do ex- prefeito Denisson Déda.  O ex-prefeito Virgílio Sobrinho também foi vítima de uma sabotagem política. Após assumir a Prefeitura por um ano, depois do afastamento do ex-prefeito Manoel Ferreira de Matos por decisão judicial, foi rechaçado e abandonado pelo grupo político, ficando no ostracismo.

Na atual campanha tem se verificado uma diferença brutal entre o vigor que o grupo da situação apresenta e a candidatura do tradicional grupo valadarista.  Se verifica por vários indícios, bem como, por pesquisas de opinião que velhas forças políticas estão na UTI, e as eleições municipais que se aproximam podem ser o golpe de misericórdia em velhas lideranças.  Como já dizia Karl Marx: “Tudo que é sólido se desmancha no ar”.